Hoje é a tentativa número dois para chegar a Castillo de Castellar. Ontem de manhã já tínhamos partido para uma caminhada lindíssima pelas colinas quando, ao fim de 13 quilómetros, demos com um portão fechado. Aqui em Espanha, quando se seguem os trilhos, passa-se muitas vezes por portões e por cima de grelhas para o gado, porque a maior parte da terra é propriedade privada. Mas no alto de uma colina com vista para a albufeira por baixo de Castillo de Castellar, onde tínhamos acabado de reservar uma noite num castelo, um grande latifundiário decidiu não deixar entrar mais ninguém no seu terreno. Um grande portão com 4 cadeados está plantado no meio do caminho. A vedação, para a esquerda e para a direita, estende-se até onde a vista alcança. No mapa não conseguimos ver bem até onde vai, mas para a direita segue em direção a um grande parque eólico e ao lado há um aterro sanitário. Se tivermos de dar a volta por aí, ficamos outra vez quase de volta a Los Barrios, de onde partimos esta manhã. Para a esquerda ainda há uma pequena hipótese de dar. Quando seguimos para a esquerda, não demora muito até aparecer um jipe a atravessar o terreno do outro lado do portão. Para, mas o condutor não fala inglês. Tentamos em espanhol. Atravessar o terreno é que não podemos, isso fica bem claro. E o lado que escolhemos é uma volta ainda maior do que voltar para trás. E isso, segundo o Google, ainda são uns 30 quilómetros. Isso dá 45 quilómetros. Já de si é longe demais, e agora que já é de tarde, então nem pensar.
Ainda tentamos seguir a vedação para o outro lado, para ver se talvez conseguimos passar entre o parque eólico e a herdade, mas também não dá. Depressa encontramos lá uma carrinha de uma empresa de segurança com drones e, um pouco mais à frente, do outro lado da vedação, mais um jipe. É um terreno bem vigiado. Não se passa por ali assim sem ser visto. Então, de volta ao sítio de onde partimos esta manhã, traçar um novo percurso e tentar outra vez amanhã.
Por isso, esta manhã fazemos os primeiros 5 quilómetros por Los Barrios e pelos prados que percorremos ontem. Sobretudo o troço pelo verde é lindíssimo assim de manhã, por isso não custa nada. Terreno verde e ondulado que nos faz lembrar um pouco as colinas do Limburgo numa manhã de primavera em maio. Erva verde e fresca, muitas flores, vacas e uns burros. E está um tempo ótimo para caminhar. Os casacos já saíram outra vez, mas ainda não está calor demais. Assim dá para andar um bom bocado. Mas azar. Assim que estamos no novo percurso, ele segue por alcatrão. Ao início por uma estradinha entre as colinas, mas quando, no vale, chegamos ao percurso pedestre GR7, temos de caminhar quilómetros ao longo de uma estrada grande sem grande vista. Felizmente há uma ciclovia e no alcatrão avança-se depressa, mas o piso duro gasta muita energia. Mantemos o ânimo com velhas canções de marinheiros irlandeses, haha. Não é costume ouvirmos música no telemóvel; preferimos desfrutar dos sons ou do silêncio à nossa volta. Mas ao longo de uma estrada tão movimentada, isso pode mesmo dar aquela energia que faz falta.
O tempo passa depressa e, na localidade de La Almoraima, podemos sair da estrada grande e seguir por uma estrada mais pequena até Castillo de Castellar. Faltam ainda uns 7 quilómetros. Ao longo da estrada há um carreirinho que podemos seguir, o que é bem melhor para os pés. Um pouco mais à frente metemos pela antiga calçada para Castillo de Castellar. Também esta corre paralela à nova estrada alcatroada, mas passa pelo meio do verde. Por entre velhos carvalhos, eucaliptos e a mimosa em flor, amarela. Vemos a bela aldeia-castelo lá no alto do monte, à nossa frente. Desde que chegámos à estrada grande até aqui, o percurso tem sido bastante plano, mas a partir do sopé ainda é uma bela subida até ao castelo. O sol brilha em pleno e a temperatura já passou bem dos 20 graus, por isso é preciso dar o litro para chegar lá acima. Quanto mais subimos, mais bonita fica a vista. O castelo por cima de nós e as colinas a perder de vista em direção ao mar, lá em baixo. Lindíssimo! Lá em cima, não há como não dar com o sítio onde vamos dormir. À entrada desta grande aldeia amuralhada do século XIII fica o castelo. É lá dentro que está o nosso hotel para esta noite. Um sítio mesmo único. O hotel no castelo, com grossas muralhas antigas, o restaurante uma ruela mais à frente, numa bonita casinha branca. À noite passeamos pelas ruelas estreitas, com casinhas que estão quase todas ainda habitadas. Muitas por artistas, e um ou outro Airbnb. Do nosso quarto temos uma vista lindíssima sobre as colinas e a albufeira que já tínhamos visto ontem. Agora sabemos como é deste lado. Lindíssimo!











